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Velhas fotografias do bairro do Recife
Primeira foto
A mais antiga foto conhecida do Recife
CHARLES DE FOREST FREDERICKS - 1851

Mapa do litoral Fotos

"Este trabalho pretende valorizar e criar interesse em torno de algumas velhas fotografias da cidade do Recife e arredores, reavivando o nome dos fotógrafos pioneiros que fixaram aspectos da cidade, seus edifícios e monumentos.

Estas fotos, memória visual do país, esquecidas em baús, álbuns e gavetas, muitas vezes se perdem ou até mesmo são jogadas fora, na suposição que se tenham estragado, devido a cor original do papel albuminado, marrom ou chá forte.

Veremos surgir a antiga fisionomia pacata e despretensiosa de antigos logradouros, oculta pela rápida evolução da cidade, a partir de 1900 e, principalmente, as grandes transformações urbanas depois de 1940/50.

A fotografia foi introduzida no Brasil meses após a sua invenção, em França, por Joseph-Nicephor Niepce e Louis-Jacques Daguerre. A França, ciosa de suas descobertas científicas e artísticas, quis logo mostrar ao mundo o que era a nova arte e suas infinitas possibilidades. Para isso mandou a corveta L’Orientale, navio escola comandado pelo capitão Lucas, em viagem ao redor do mundo, "A bordo viajava o capelão Compte encarregado de revelar ao mundo a maravilha da época e que vinha assombrando a todos. A máquina que aprisionava a luz e que fixava as pessoas e as cousas em miniaturas tão perfeitas como a natureza as havia criado, a daguerreotipia, ou por outra, a fotografia."

A corveta L’Orientale aportou ao Rio de Janeiro em 1840. O capelão Compte apressou-se em tirar alguns daguerres de aspectos do largo do Paço e, logo após, foi recebido pelo imperador D. Pedro II, fazendo então, no Palácio de São Cristóvão, novas demonstrações de seu aparelho, diante da família imperial.

Se L’Orientale, antes de chegar ao Rio, aportou em Recife, não sabemos informar. Podemos afirmar, no entanto, que Pernambuco não tardou a travar conhecimento com esta preciosa invenção. No Relatório apresentado ao Governo pela Comissão Diretora da Exposição de Pernambuco, de 1866, lemos: "O aparecimento do daguerreotipo em Pernambuco sucedeu de poucos anos à sua maravilhosa descoberta no velho continente. Foi em 1841 ou em 1842 que as primeiras imagens daguerreotipanas foram produzidas na província quando então a arte se podia dizer na infância e estava ainda cercada de sensíveis imperfeições. Diversos estabelecimentos desta arte se têm fundado em Pernambuco: desde o iniciador da indústria que foi um francês...". O informante não revelou o nome do tal precursor mas esta lacuna foi preenchida pelo inesgotável Pereira da Costa, em Anais Pernambucanos. Na verdade tratava-se de um americano, chamado J. Evans, que, vindo do Rio de Janeiro, montou oficina fotográfica no primeiro andar da rua Nova n.° 14, em fevereiro de 1843.

A partir dessa época chegaram, a todo momento, no Rio de Janeiro, em Salvador e Recife, fotógrafos itinerantes, pour faire l’Amerique , que é cousa velha e vem de longe, os quais sempre se anunciavam, através dos jornais, os "primeiros" ou os "únicos" a trabalhar com o "último" e mais aperfeiçoado sistema fotográfico, ainda não conhecido dos concorrentes já estabelecidos na terra. (...)

(...) Os retratos tirados por sistema (eletrotipo) são muito mais apreciados do que os antigos de daguerreotipo, e a rapidez com que se tira é tal que a pessoa não pode deixar de conservar a expreção natural. Isto também é uma vantagem para as pessoas que quiserem mandar tirar retratos de crianças (...). Os preços são de 6$000 para cima."



Fonte desta seção:
Velhas Fotografias Pernambucanas 1851 -1890
Gilberto Ferrez
1.a edição Departamento de Documentação Cultural
[Prefeitura Municipal do Recife] Gráfica Editora do Recife. [1956]
3.a edição Campo Visual Edição e Comunicação Ltda. 1988