Século XVII (1629)
"Para satisfazer a flamengos menos propensos a exotismo, veio da Holanda um número considerável de prostitutas, que surgem constatemente nos documentos de então como "mulheres fáceis" (LICHTE VROUMEN ou VUIJLE VROUMEN ). E muitas são referidas pelos seus próprios nomes: Christianazinha Harmens, Anna Loenen, Janne Ken Jous, Maria R. Othaer (isto é Maria Cabelo de Fogo),Agniet, Elisabeth, apelidada Admirael, Maria Krack,Jannetglen Hendricx, Wyburch van den Gruze, Sara Douwaerts, uma apelidada Senhorita de Leyden e outra a Chalupa Negra ( de Swaerte Chaloepe) e Sijtgen, esta culpada e convicta de levar uma vida desregrada, escandalosa e libertina. E quando se faz o Inventário dos prédios, em 1654, após a rendição , surgiram ainda umas mulheres suspeitas morando sozinhas em sobrados; uma delas pagando aluguel não em cruzados ou mil réis mais em florim: um florim por mês. Outra, uma francesa, que talvez tenha sido a sua história Anna de Ferro .
Os predicantes calvinistas não se cansavam de solicitar medidas contra a entrada de tais mulheres vindas da Holanda; muitas embarcavam sem conhecimento do Conselho dos XIX (como Christianazinha Harmens e outras como Sara Hendricx ) vinham disfarçadas em trajes de homem; muitas delas eram mulheres terríveis,como uma que desencaminhou muitas pessoas honradas, e, muitos jovens. Ou como "certa mulata", conta a qual pediram providências os anciãos representantes da nação judaica no Recife.
Editais foram publicados, de parte dos Altos Conselheiros, a respeito de casamentos -" matéria em que sobretudo se observam grandes desordens " e onde se escondem muitas desonras; a respeito da prostituição que dia-a-dia aumentava; a respeito de incestos - edital cuja publicação... foi julgado ser muito necessário ( para os calvinistas o incesto consistia em casamento entre parentes consanguíneos e próximos). Providências foram tomadas contra as mulheres dos soldados que viviam longe dos maridos e que se prostituiam. Muitas foram castigadas, mas logo voltavam à vida antiga.
A vida moral no Brasil holandês é descrita por contemporâneos com cores negras. Nos bordéis mais vis do mundo "(...) misturavam-se todos os elementos de que se aproveitou a colonização holandesa: o inglês , o francês, o alemão, o índio, o negro, o judeu, o português.Todas as raças de que se compunham o exército flamengo. O terrível problema de habitação no Recife favoreceu a dissolução moral."(...)
Nada mais natural, portanto, que o Recife se tivesse transformado em um foco de disseminação de sífilis(...)
Aliás parece ter grassado muitas doenças no Recife holandês(...).