1630.
Diário de um Soldado da Companhia das Índias Ocidentais.
Ambrósio Richshoffer.

A 14 avistamos de novo o Brasil e o território de Pernambuco, e o Senhor General mandou içar a bandeira de sangue, para sinal de que os navios se preparassem para combater.

À tarde consagrou-se uma hora à oração geral e em seguida todos os soldados foram transportados para dezesseis navios.

A 15 chegamos tão próximo a costa que, não só distinguíamos perfeitamente a cidade de Olinda, e de Pernambuco, como vimos os dois forte junto à aldeia Povo, um dos quais situado na praia e chamado São Jorge, enquanto que outro que está sobre o rochedo ou Recife tem o nome de forte do mar. Ao pôr-do-sol o Sr. General dispôs trinta navios em meia lua ou círculo em volta do mencionado forte, e começou a batê-lo com artilharia grossa, não tardando a resposta do inimigo, como a diante referirei. No entretanto o Senhor Coronel bordejava com os dezesseis navios em que estavam os soldados, acima da cidade. À tarde, porém, foram desembarcados deles 2.101 soldados e 669 marinheiros, junto com duas pequenas peças que atiravam balas de três libras. Acampamos durante a noite junto a praia, havendo diversos alarmes, não só por causa do inimigo, como uns mosquitos que havia nos matos e que brilhavam como mechas acesas ...

... A 3 o Sr. Coronel enviou o Sr. Tenente Coronel Stejn-Callenfels, com várias companhias de tropa à ilha de Antônio Vaz, situada em frente ao Recife ou aldeia Povo, do outro lado do rio chamado Beberibe.

Foi encontrada completamente vazia, pois os habitantes a tinham abandonado refugiando-se com os seus haveres, para junto dos outros na floresta.