"Meia légua ao sul desta vila, como se vê na carta já dita, no ponto C, está o Porto do Recife, onde as embarcações entram e estão recolhidas a abrigos de todos os ventos. Tem esse sítio, em uma língua de areia, que quase é salgado, uma vila de muitos vizinhos, com outro mosteiro dos mesmos capuchos de Santo Antônio, fora uma paróquia muito ordenada e rica, na qual se recolhem os açúcares e fazendas que se carregam e descarregam em toda a capitania; tem de grande este porto as duas fortalezas que na dita carta se assinalam no ponto D e no ponto E, tem de presídio ordinário o que se vê adiante, pago da Fazenda de Sua Majestade; esta vila pode ser muito grande e muito forte por razão do assento no salgado, cercado de água.
Neste lugar do Recife ajuntam-se, de contínuo, mais de duzentos homens do mar, fora os da povoação, e estes, a todas as horas, com suas armas acham-se prestes em suas embarcações.
O forte novo da Laje, que guarda o mar e a barra no ponto D, fundou-se a custa dos moradores e do senhor da terra; está em toda a perfeição acabado conforme a sua capacidade, porque o reedificou e lhe fez muitas coisas que lhe faltavam o governador-geral Matias de Albuquerque, é obra do engenheiro Francisco de Farias, diligência de Alexandre de Moura, traço de Tibúrcio Espanochi e mandado do governador geral Dom Diogo de Menezes, que em seu tempo se começou e acabou; faltam-lhe duas colubrinas de alcance; esta lhe faz o governador geral Matias de Albuquerque, de quarenta quintais cada uma, porém podem-se remediar e fazer-se na casa da fundição desta capitania, de peças antigas que hoje não servem. O governador geral Matias de Albuquerque mandou fundir algumas.
O forte velho, que se vê no ponto E, fundou-se a custa do povo e do senhor da terra; foi obra de um padre da Companhia, chamado Samperes, mais como se fundou sobre areia, sem grade e em tempo de poucas assistências, cada dia vai caindo um lanço".