"A ribeira do mar até o arrecife dos navios, com suas praias, até o varadouro da galeota, subindo pelo rio Beberibe arriba, até onde faz estreito que está por detrás da roça de Brás Pires ...
Notícias do Brasil - Gabriel Soares de Souza. 1587.
"Neste ponto de Olinda se entra pela boca de um arrecife de pedra ao sudoeste e depois norte-sul, e, entrando para dentro ao longo do arrecife, fica o rio morto pelo qual entram até acima navios de cem toneladas até duzentas, tomam meia carga em cima e acabam de carregar onde chamam o Poço, defronte da boca do arrecife, onde convém que os navios estejam bem amarrados, porque trabalham aqui muito por andar neste porto sempre o mar de levadio; por esta boca entra o salgado pela terra dentro uma légua ao pé da vila e defronte do surgidouro dos navios faz este rio outra volta deixando no meio uma ponta de areia onde está uma ermida do Corpo Santo. Neste lugar vivem alguns pescadores e oficiais da ribeira, e alguns armazéns em que os mercadores agasalham os açúcares e outras mercadorias; e desta ponta de areia da banda de dentro se navega este rio até o varadouro, que está ao pé da vila, com caravelões e barcos, e do varadouro para cima se navega com barcos de navios obra de meia légua, onde se faz aguada fresca para as naus da ribeira que vêm do engenho de Gerônimo Albuquerque, também se metem neste rio outras ribeiras por onde vão os barcos dos navios a buscar açúcares aos passos donde os trazem encaixados e em carros; esse esteiro e limite do arrecife é muito farto de peixe de redes que por aqui pescam e do marisco; perto de uma légua da boca deste arrecife está outro boqueirão, que chamam a Barreta, por onde podem entrar barcos pequenos estando o mar bonançoso; nesta Barreta por onde diante corre este arrecife ao longo da terra duas léguas, e entre ela e ele se navega com barcos pequenos que vêm do mar em fora e quem puser os olhos na terra em que está situada a vila parecer-lhe-á que é o cabo de Santo Agostinho por ser muito semelhante a ele".