Histórias do Bairro do Recife
Ponte giratória
Por ocasião da modernização do porto do Recife, cujas obras
ficaram a cargo da "Societé de Consttruction du Port de Pernambuco" até 1920, ficou
estabelecido que, entre outras obras de apoio, seria construida uma ponte rodo-ferroviária de
vão central giratório na embocadura do Capibaribe/Beberibe, rios irmãos que juntos desaguam
na bacia do porto.
Pela sua função, essa ponte tomou o nome da Giratória e foi inaugurada no dia 5 de dez
embro de 1923, servindo à cidade até a década de 70, quando foi substituída pela atual,
denominada "12 de setembro" data que lembra o dia solene da inauguração das reformas do
porto, em 1918, quando atracou no cais do armazém 9, o paquete "São Paulo" de Lloyd Brasileiro.
A razão de sua construção deveu-se à necessidade de atender à passagem das
embarcações veleiras, que aportavam no cais do Abacaxi, em Santa Rita e no antigo cais do
Colégio, na atual praça Dezessete. As pontes destinadas a esse tipo de função, geralmente
são de altura compatível com a do maior mastro a navegar na região diante do nivel máximo
da mare ou, então, são basculantes. A nossa Giratória era de baixa altura, para permitir o
tráfego de trens e ao invés de bascular, girava sua seção central, conforme pode ser visto na
foto de ontem. Em razão disso, para evitar acidentes, antes da ponte girar, soava uma sirene
e em seguida suas cabeceiras eram barradas com correntes, de onde pendiam avisos
alertando os motoristas e pedestres. Entretanto, vários acidentes ocorreram com a queda de
caminhões na maré, pela desobediência aos avisos.
Na antiga ponte Giratória havia um mero abarrancado, que roncava à noite e ninguém
seria capaz de pescá-lo. De fato, lenda ou verdade, ninguém conseguiu pescar o enorme
peixe, que aterrorizou muitos pescadores recifenses.
Com o tempo a ponte, que se destinava à passagem de trens, caminhões e pedestres em
pistas isoladas, foi se deteriorando e tornando-se incapaz ao crescente fluxo de transito.
Assim, teve que ser desmontada e em seu lugar foi construída uma outra. Diz o folclore da
cidade, que houve um acidente, quando se deixou cair cimento nas suas engrenagens por
ocasião dos reparos que se tentavam fazer nela.
Como se vê na foto de hoje, o que restou da antiga ponte Giratória foi apenas os pilares de
sustentação, onde se destaca o pilar central, que servia de mancal para permitir o giro da
seção pivotante da ponte.
Com a desativação da ponte Giratória, ficaram desativados tanto o cais do antigo Porto do
Coíégio, como o de Santa Rita, que foi aterrado, local onde se construiu um grande armazém
da Cobal e dando margem à instalação provisória dos comerciantes do Mercado de São José,
durante sua restauração iniciada no governo de Jarbas Vasconcelos e continuada na
segunda administração do prefeito Joaquim Francisco.
Forte do Brum |
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Ponte construída por Nassau
Antiga Ponte do Recife |
Ponte Giratória |
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