Histórias do Bairro do Recife
Rua dos judeus
Essa artéria é a que se denomina hoje rua do Bom Jesus.
Antes de ter esse nome foi chamada, ainda rua da Cruz e dos Mercadores.
A designação de Rua dos Judeus deveu-se ao fato de congregar um grande número de
comerciantes judeus e de haver uma sinagoga num de seus prédios, que por sinal foi a
primeira existente no Novo Continente.
No seu início ficava o Arco do Bom Jesus, que era a Porta Norte da cidade, local onde
Antônio Fernandes Vieira recebeu as chaves da cidade, das mãos do comandante das tropas
holandesas, após a rendição dos batavos.
Embora o Recife fosse uma cidade à beira-mar, não havia sistema de esgotos à época
retratada pela gravura antiga e as águas servidas eram atiradas de cima dos prédios
comerciais,onde moravam empregados e familiares dos comerciantes. Do mesmo modo, os
dejetos humanos eram armazenados em tinas de madeira, denominadas "Tigres", que eram
levados pelos escravos para serem jogados na maré, ou em locais pré-determinados.
Esses tigres, muitas vezes quando evelheciam, quebravam-se durante o transporte e o
materiaí nele contido se derramava pela rua, infectando a cidade e, como resultado, grassou
a cólera-morbo no Recife entre 1856 e 1859, ceifando mais de 3.000 vidas humanas.
Visando a corrigir esse caos, assinou-se em 1858 um contrato com o engenheiro francês
Charles Cambronne, que se encarregaria de promover o escoamento das águas servidas
através de canos de ferro, ou de grés até a maré e confeccionaria caixas metálicas para
depósito dos excrementos humanos durante 15 dias, para cada casa com 10 pessoas.
Essas caixas, denominadas de "latrinas inodoras" seriam recolhidas de 15 em 15
dias e devolvidas íimpas às residências. A empresa do Engenheiro Cambronne também seria
responsáveí pelo transporte de lixo, Esse projeto não chegou a se cumprir e o povo, em sinal
de protesto, passou a chamar de cambrone às latrinas inodoras que haviam sido prometidas
como solução do problema sanitário da cidade, que só foi resolvido com a Recife Draynage,
cuja estação coletora ficava nas Cinco Pontas, em prédio que ainda hoje existe.
A Recife Draynage foi inaugurada em 1871, contando inclusive com a presença do
Imperador D. Pedro II, que passava por essa cidade, a bordo do paquete inglês "Douro", com
destino à Europa.
Com o crescimento da cidade, entretanto, a Recife Draynage declarou-se incapaz de
melhorar seus serviços, obrigando o Dr. Otávio de Freitas a fazer um relatório ao Governador
Barbosa Lima, em 1893, criticando as precárias condições de higiene da cidade. Diante disso,
a firma Manoel Tapajós foi consultada para fazer um novo saneamento para a cidade.
Havida a concorrência, o governador Sigismundo Gonçalves a anulou, sob a alegação de que
os preços eram muito altos. Contrapondo-se ao fato, Dr. Otávio de Freitas disse que o
descaso dos governos para com o saneamento era responsável pelas 109 epidemias sofridas
em apenas 54 anos, na cidade.
Apesar dessa forte argumentação, somente no governo de Herculano Bandeira é que a
repartição de Obras Públicas assumiu a tarefa de sanear o Recife, valendo-se da experiência
do Dr. Saturnino de Brito, que acabara de sanear a cidade de São Paulo. Finalmente, a 12 de
dezembro de 1915 o Recife passou a ser dotado de um moderno sistema de saneamento.
Como se vê na foto de hoje, a rua dos Judeus, ou do Bom Jesus, como se denomina
atualmente, continua muito próxima do que foi outrora. A sinagoga, já não mais existe e o
Arco do Bom Jesus também se foi desde 1850. Mas, quando se passa por ela ainda se respira
no ar o frenesi do que foi o comércio naquela rua, nos tempos do Brasil Colônia.
Forte do Brum |
Arco do Bom Jesus |
Matriz do Corpo Santo
Depósito de Bondes |
Casa de Banhos |
Ponte construída por Nassau
Antiga Ponte do Recife |
Ponte Giratória |
Rua dos Judeus |
Rua Marquês de Olinda
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